quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Uma mulher sem nome - Parte II


Ingressei na faculdade, e estou no 4º semestre, não tem sido fácil mas graças ao meu desempenho consegui um emprego num jornal privado, sem muita expressão mas consigo manter o aluguer do “estúdio” aonde vivo e consigo bem virar-me com a alimentação e o transporte.
Entro as 8h e só saio as 18h, as 18:30 vou para a faculdade de boleia e só chego a casa por volta das 23 horas.
Trabalho em digitação de textos, não me queixo mas na verdade sempre sonhei por um espaço meu, um espaço em que pudesse mostrar os meus artigos. Mas há muita competitividade neste lugar, então contento-me com o que tenho enquanto vou aprendendo mais.
Desci as escadas do prédio e fui para a paragem que estava abarrotada, subi para o candongueiro e como sempre ouvia aquelas conversas de pessoas que mesmo tendo tudo para reclamar da vida, tinham sempre algo de bom e positivo para passar aos outros, e conseguiam arrancar um sorriso sempre. Mesmo no meio de tantos empurrões em meia hora tinha chegado ao meu posto de serviço.
Cumprimentei o senhor Gaspar, porteiro da repartição aonde eu sou trabalhadora. Quando me sentei encontrei, já alguns textos por digitar, coisa pouca em relação aos dias anteriores. Fiz o meu trabalho e quando dei por mim a repartição já estava cheia de gente correndo de um lado para o outro. Parei as 13:30 minutos, horário de almoço. Desci para o refeitório com a Renata minha colega e amiga. Durante o almoço abordamos vários assuntos. As 15 horas voltamos para o serviço e as 19 horas estava eu a chegar a faculdade. No princípio foi difícil adaptar-me a esta rotina tão cansativa, mas depois acostumei-me. Por volta das 22:20 minutos estava eu a entrar para casa, exausta.
Tomei banho, aqueci a sopa da semana sentei-me no único sofá que eu tinha na sala e acabei por adormecer tal como nos outros dias, quando despertei eram 2horas da madrugada e dirigi-me para o quarto.
As 6h o despertador tocou e a rotina, não muda.
Sinto saudades dos meus pais, da minha província dos amigos que lá deixei. Não pensei que correr atrás do meu sonho custasse tanto. Aqui as coisas e as pessoas são muito diferentes, é tudo muito supérfluo, não há amizades verdadeiras e as pessoas primam muito pelo materialismo.
Estive pensativa durante o dia, mas depois foquei no meu objectivo. Fui para a faculdade, e depois para casa.
Haverá um concurso de novos talentos na minha faculdade e estou disposta a participar, o prémio para quem ganhar será um pequeno espaço quinzenal num jornal de desportos. Mesmo não entendendo muito sobre o assunto decidi participar, inscrevi-me e dentre vinte concorrentes eu era a única mulher....
Continua ...

1 comentário:

  1. Estás a mostrar que tens uma forte inclinação para literatura, gostei imenso e continuarei a acompanhar...
    Tda forxa do Mundo.!!

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