domingo, 16 de setembro de 2012


O homem por trás da história


Depois de alguns dias de investigação, mas sobretudo de reflexão, decidi debruçar-me sobre o dia do herói nacional. Acho que uma data de tamanha importância não deverá passar por nós, jovens, e não só, como um "simples feriado".

Com o alargamento das redes sociais e das tecnologias de informação “comentamos” sobre vários assuntos que, na sua maioria, são de pouca relevância, e, outrossim, não enriquecem em nada na evolução do nosso intelecto e conteúdo cultural.

Decidi escrever esta crónica, em primeiro lugar, porque sou angolana. Mas, acima de tudo, amante da arte e da literatura.

Homenagear um homem que, pelos seus feitos, tornou-nos independentes e livres do regime colonialista, um homem corajoso mas que nunca deixou morrer o seu lado sentimental e humano visivelmente encontrado nos seus poemas, não é uma tarefa fácil. Sobretudo num ciclo jovem que no qual faço parte, onde, infelizmente, verifica-se um elevado nível de desinteresse sobre os assuntos ligados à história de Angola.

Agostinho Neto, o médico, o presidente, o poeta, o fundador da nação, um verdadeiro herói, mas acima de tudo um angolano de raiz. Um grande incentivo e exemplo que nos mostra claramente que sempre podemos fazer mais e melhor. A prova de que nada é em vão, por mais impossível que nos possa parecer.

Seremos eternamente gratos. Os anos passam mas fica a história e as obras, encarregadas de mostrar a Angola e ao mundo que tudo é possível. Desde lutar com unhas e dentes pela independência de uma nação a escrever poemas lindíssimos que inspiram uma geração de jovens.

Que o legado de Neto continue a enriquecer a história de um país sofredor, batalhador, rico e unido de Cabinda ao Cunene. Fazendo das diferenças, entre os mais variados povos e regiões, uma ponte que prova que juntos seremos mais fortes, unidos e capazes.

Viva o herói nacional.

By: Ottoniela  Bezerra

segunda-feira, 10 de setembro de 2012




A RENÚNCIA IMPOSSÍVEL


Negação


Não creio em mim
Não existo
Não quero eu não quero ser
Quero destruí-me
- Atirar-me de pontes elevadas
e deixar-me despedaçar
sobre as pedras duras das calçadas
Pulverizar o meu ser
desaparecer
não deixar sequer traço de passagem
pelo mundo.

Quero matar-me
e deixar que o não-eu
se aposse de mim.

Mais do que um simples suicídio
quero que esta minha morte
Seja uma verdadeira novidade histórica
um desaparecimento total
até mesmo nos cérebros
daqueles que me odeiam
até mesmo no tempo
e se processe a História
e o mundo continue
como se eu nunca tivesse existido
como se nenhuma obra tivesse produzido
como se nada tivesse influenciado na vida
como se em vez de valor negativo
eu fosse Zero.

Quero ascender, subir
elevar-me até atingir o Zero
e desaparecer.
Deixai-me desaparecer!


Mas antes vou gritar
com toda a força dos meus pulmões
para que o mundo oiça:


- Fui eu quem renunciou à Vida!
Podeis a continuar a ocupar o meu lugar
vós os que mo roubastes


Aí tendes o mundo todo para vós
para mim nada quero
nem riqueza nem pobreza
nem alegria nem tristeza
nem vida nem morte
nada.


Não sou. Não existo. Nunca fui.
Renuncio-me
Atingi o Zero


E agora,
Vivei, cantai, chorai
casai-vos, matai-vos, embriagai-vos
dai sêmolas aos pobres.
Nada me pode interessar
que eu não sou
Atingi o Zero!


Não contem comigo
para vos servir às refeições
nem para cavar os diamantes
que vossas mulheres irão ostentar em salões
nem para cuidar das vossas plantações
de café e algodão
não contem com operários
para amamentar os vossos filhos sifilíticos
não contem com operários
de segunda categoria
para fazer o trabalho de que vos orgulhais
nem com soldados inconscientes
para gritar com o estômago vazio
vivas ao nosso trabalho de civilização
nem com lacaios
para vos tirarem os sapatos
de madrugada
quando regressardes de orgias nocturnas
nem com pretos medrosos
para vos oferecer vacas
e vender molho a tostão
nem com corpos de mulheres
para vos alimentar de prazeres
nos ócios da vossa abundância imoral.

Não contem comigo
Renuncio-me.
Eu atingi o Zero
Não existo. Nunca existi.
Não quero vida nem morte
Nada!
Podeis agora queimar
os letreiros medrosos
que às portas dos bars, hotéis e recintos públicos
gritam o vosso egoísmo
nas frases: “SÓ PARA BRANCOS” ou “ONLY TO COLOURED MEN”
Negros aqui .Brancos acolá.

Podeis acabar
com os miseráveis bairros de negros
que vos atrapalham a vaidade
Vivei satisfeitos sem “colour lines”
sem terdes que dizer aos fregueses negros
que os hotéis estão abarrotados
que não há mais mesas nos restaurantes.
Banhai-vos descansados
nas vossas praias e piscinas
que nunca houve negros no mundo
que sujassem as águas
ou os vossos nojentos preconceitos
com a sua escura presença.

podeis transformar em toureiros
ou em magarefes
os membros da  Ku-klux-klan
para que matem a sua fome sanguinária
nas feridas dos touros que descem à arena.
Não há negros para linchar!


Porque hesitais agora!
Ao menos tendes oportunidade
para proclamardes democracias
com sinceridade


Podeis inventar uma nova História.
Inclusivamente podeis atribuir-vos a criação do mundo.
Tudo foi feito por vós
Ah!
que satisfação eu sinto
por ver-vos alegres no vosso orgulho
e loucos na vossa mania de superioridade.


Nunca houve negros!
A África foi construída só por vós
A América foi colonizada só por vós
A Europa não conhece civilizações africanas
Nunca um  negros beijou uma branca
nem  um negro foi linchado
nunca mataram pretos a golpes de cavalomarinho
para lhes possuírem  as mulheres
nunca extorquiram  propriedades a pretos
não tendes, nunca tivestes filhos com sangue negro
ó racistas de desbragada lubricidade
Fartai-vos agora dentro da moral.

Que satisfação eu sinto
por não terdes que falsear os padrões morais
para salvaguardar
o prestigio, a superioridade e o estômago
dos vossos filhos.

Ah!
O meu suicídio é uma novidade histórica
é um sádico prazer
de ver-vos bem instalados no vosso mundo
sem necessidade de jogos falsos.

Eu elevado até o Zero
eu transformado no Nada-historico
Eu no inicio dos Tempos
eu-Nada a  confundir-me com  vós-Tudo
sou o verdadeiro Cristo da Humanidade!

Não há nas ruas de Luanda
Negros descalços e sujos
a pôr nódoas nas vossas falsidades de colonização
em Lourenço Marques
em Nova York, em Leopoldville
em Cape-Town
gritam pelas ruas
a foguetear  alegria nos ares:
-Não há negros nas ruas!
Nunca houve.
Não há negros preguiçosos
a deixar os campos por cultivar
e renitentes à escravização
já não há negros para roubar.
Toda a riqueza representa agora o suor do rosto
e o suor do rosto é a poesia da vida.



Não existe música negra
Nunca houve batuques nas florestas do Congo
Quem falou em spirituals?
Vá de enchem os salões
de Debussy Struss Korsakoff.
Já não há selvagens na terra.
Viva a civilização dos homens superiores
sem manchas negróides
a perturbar-lhe a estética!


Nunca houve descobrimentos
a África foi criada  com o mundo.


O que é a colonização?
O que são massacres de negros?
O que são os esbulhos de popriedade?
Coisas que ninguém conhece.


A história está errada
Nunca houve escravatura
nunca houve domínio de minorias
orgulhosas da sua força


Acabai com as cruzadas religiosas
A fé está espalhada por todo mundo
sobre a terra só há cristãos
vós sois todos cristãos.

Não  há infiéis por converter
Escusai de imaginar mais infidelidades religiosas
para justificar
Repugnantes actos de barbarismo.
Não necessitais enviar mais missionários
a África
nem aos bairros de negros
Nunca houve feitiços
nem concepções religiosas diferentes
nunca houve religiosos a auxiliar a ocupação militar.

Acabai tudo, tudo
e vós sois todos irmãos.
Podeis continuar com os vossos sistemas
socialistas ou capitalista
que isso não me interessa.
Explorai o proletariado
ou dai-lhe de comer
isso é convosco.
Continuai com os vossos sistemas políticos
ditaduras democracias.
Matai-vos uns aos outros
lutai pela glória
lutai pelo poder
criai minorias fortes
que protejam os seus comp…
apadrinhai os afilhados dos vossos  amigos
criai mais  castas
aburguesai as ideias
e tudo sem a complicação
de verdes  intrusos
imiscuir-se na vossa querida
e defendida civilização
dos homens privilegiados.
Homens irmãos
dai-vos as mãos
gritai a vossa alegria de serdes sós
SÓS!
únicos  habitantes da Terra.


Eu atingi o Zero!

Isto s implica extraordinariamente
a vossa ética.
Ao menos não percais agora
a ocasião de serdes honestos.
Se houver terramotos
Calamidades, cheias ou epidemias
ou terras a defender da invasão das águas
ou motores parados nas lamas a de selvas africanas
raios partam!
já não tereis de chamar-me
para acudir ás vossas desgraças
para reparar os vossos desastres
ou para carregar com a culpa das vossas incúrias.
Ide para o diabo!
Eu não existo
Palavra de honra que nunca existi.
Atingi o Zero
o  Nada.
Abençoada a Hora
do meu super-suicidio
para vós
homens que construís sistemas morais
para enquadrar imoralidades
O sol brilha só para vós
a lua reflecte luz só para vós
nunca houve esclavagistas
nem massacres
Nem ocupações da África.
Como até a história
se transforma num Tratado  Moral
sem necessidade de arranjos apressados!

Não existem os pretos dos cais e do caminho de
ferro.
Nos locais de trabalho nunca se ouviram cantos
dolentes
só há chiadeira do guindastes.
Nunca pisaram os caminhos do mato
carregados com  quilos às costas
são os motores que se queimam sob as cargas
Ó pretos submissos humildes ou tímidos
Sem lugar nas cidades
ou nos escaninhos da honestidade
ou nos recantos da força
com a alma poisada no sinal menos,
polígamos declarados
dançarinos de batuques sensuais
sabei que subistes todos de valor
Atingistes o Zero
sois Nada
e salvastes o Homem.



Acabou-se o ódio de raças
e o trabalho de civilização
e a náusea de ver meninos negros
sentados na escola
ao lado dos meninos de olhos azuis
e as extorsões e compulsões
e as palmatoadas e torturas
para obrigar inocentes a confessar crimes
e  os medos de revolta
e as complicadas demarches politicas
para iludir as almas simples.

Acabaram-se as complicações sociais!
Atingi o zero
Cheguei à hora do inicio do mundo
E resolvi não existir.
Cheguei ao Zero-Espaço
ao nada-tempo
ao Eu coincidente com vós-Tudo.

E o que é mais importante
Salvei o mundo.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

"O outro lado da moeda" Ottoniela Bezerra & Cláudio Kiala


MARCO
-Acabou Marco e dessa vez é para sempre. Eu estava de costas para ela, de frente para as janelas de vidro da sala de estar da casa dos meus pais, as cortinas estavam abertas e isso possibilitava que eu prestasse atenção ao movimento enorme que se verificava sempre aquela hora do dia na avenida dos Combatentes. Ouvi-a falar, mas, pensei que fosse só mais uma discussão, mais um sermão e portanto o meu pensamento vagueava entre o clássico Benfica-Porto ao exagero nos shots da noite passada.E quando finalmente a Jacira acabou de falar, e eu ouvi pela milésima aquela frase e de seguida a porta a bater, pensei realmente que fosse "só mais uma separação".Não estava preocupado, pois já estamos nisso a quase quatro anos, e eu não daria mais de duas semanas, para que ela ou uma das suas amigas ligasse para mim a tentar uma reconciliação. Enquanto esse telefonema não acontecia, a minha vida decorria como sempre foi, faculdade, jogo de futsal no campo da rádio nacional, e claro, as noitadas como não podia deixar de ser.Quando saio para noite, ao contrário do que o que a Jacira pensa, não olho para outras raparigas, gosto dela, mas, acho que ainda sou muito novo para ter uma relação tão séria como a que ela quer levar. Saio, para me divertir, para ser sincero para beber e dançar, só isso. Sei muito bem que raparigas como a minha namorada, hoje em dia são contadas.Mas mesmo assim, sinto a necessidade de as vezes estar sozinho ou com os meus "cambas".Tenho noção de que as vezes exagero, mas no fim das contas tenho-na como minha, afinal são quatro anos.Decorridas duas semanas, nada de Jacira, nem telefonemas, nem mensagens, nem na net eu encontrava-a. Começava a achar estranho, e para ser sincero começava a preocupar-me com silêncio da minha "borboletinha"...

JACIRA

Parece-me que alguém não tinha reparado ainda que a sua "borboletinha" estava prestes a descobrir porquê que foram feitas as asas. Cá para mim, alguém não se tinha apercebido que borboletas não foram feitas para estarem presas numa gaiola e maltratadas; Muito pelo contrário. Eu tive quatro anos para voar, mas preferi manter-me fiel ao meu jardim, não voar alto, não sair da minha zona de conforto - que ultimamente só me tinha vindo a oferecer desconforto. Eu podia voar com as outras borboletas, mas preferi ficar. Depois de tanto tempo, não sei se ainda tenho tempo para "voar". Pela idade e maturidade que atingi tão rapidamente, a solução era me ocupar com algum outro objectivo da minha vida, e se tivesse de voltar a pousar, que fosse num novo jardim. Voos deliberados não eram permitidos. Magoada, sim; desnorteada, nem tanto; Inconsequente, de certeza que não.
A nova idade trazia consigo metamorfoses na minha vida. O meu corpo de mulher se tornava a cada dia mais atraente e consistente, e os meus sentimentos começavam a mudar. Nos anos passados, uma discussão dessas me faria soltar lágrimas até a cabeça explodir de dores de cabeça, e ligar dois dias depois para voltar para o meu "jardim". Alguma coisa havia mudado. A borboleta havia passado o prazo para ligar para se redimir, as lágrimas não soaram como das outras vezes, as intercessões das minhas amigas mais chegadas a favor da nossa reconciliação não causavam o mesmo efeito em mim. Eu havia mudado...


Ottoniela Bezerra e Cláudio Kiala

terça-feira, 22 de maio de 2012


A vida as vezes prega-nos partidas, ri-se de nós.
Vivemos como se de peças de xadrez nos tratassemos.
Jogadas inesperadas, emoções a flôr da pele, expectativas frustradas, acontece tudo ao mesmo tempo. Pensei em escrever algo para expressar tudo o que tenho sentido.
Felicidade, sorrisos vindos do nada, imaginação fértil, e medo, muito medo.
Medo de estar a viver só mais uma estória e ser só mais uma estória para ti.
Medo de te sufocar.
Medo de acordar amanhã e ver que não passou de um bom momento apenas, porque gostamos dos bons momentos mas gostaríamos mais ainda que que eles não passassem.
O frio na barriga, ou a sensualidade das conversas mais quentes.
Nada disso eu queria que me acontecesse,amar perdidamente, pensei em outros projectos e depois de tentativas fracassadas, estava mesmo disposta a "fechar-me" mas, agora vi que não mandamos neles, nos sentimentos.
Sou religiosa, mas acima de tudo, acima da minha fé inabalável... sou realista.
Vou contar-te um segredo : Eu acredito sim, na outra metade. Acredito que exista alguém no mundo que nos complete, não acredito em pessoas perfeitas, mas recuso-me a aceitar que a vida é o conformismo... Não quero mais falar nas entrelinhas... Não te peço amor eterno, peço-te sinceridade. Não te peço fidelidade exigo, lealdade!
Não quero perfeição, quero apenas que me faças feliz...
Será que isso é uma loucura?
Só o tempo dirá...
Sempre pensei em ter um amor assim... Um amor presente, compreensivo, amor-amigo, amor-inspiração, amor-imaginação, mas acima de tudo um amor coração...
Quero autenticidade...e vou insistir persistentemente até alcançar a        "perfeição"...ou então vou tentar traduzir o meu amor por ti até o dia em que as palavras consigam  tranparecer este sentimento que inspira-me quando eu menos espero por uma inspiração.
Vou buscar a perfeição nos suspiros que dou, em consequência de coisas aparentemente banais, vou buscar a perfeição no teu sorriso mais inocentes, e no teu olhar mais profundo.
E sonho com um amor assim que mesmo me tirando os pés da realidade oferece-me a contrapartida sensatez da paz de espírito ...
Não quero ser poeta, mas é impossível amar e não se tornar um poeta, ainda que temporariamente...
O tempo, o tempo, o tempo...Depois de toda essa ladainha de uma jovem estudante de Direito, aspirante a escritora, menina e mulher.Só tenho uma coisa a dizer ... Sou  apaixonada por ti!
Ottoniela Bezerra

segunda-feira, 14 de maio de 2012

"Escolha Errada"


A vida, é um "furacão" ou dito de outro modo, uma constante mudança. Tudo muda o tempo e nós estamos sujeitos sempre a bater de frente com estas mudanças, principalmente quando se trata de assuntos do coração.
Como jovem que sou, falo disso com propriedade pois acontece comigo e com os que me rodeiam estar em constante conflito entre a cabeça e o coração.
Perguntamo-nos a tempo inteiro qual o caminho que devemos seguir pois uma escolha implica sempre uma renúncia, tornando-se complexo construir um caminho olhando para o que deixamos para trás. São tantas as perguntas e dúvidas num oceano de inseguranças e incertezas aonde uma ou duas gotas da água deste oceano nos poderão dar a certeza de qual o caminho certo a seguir.
E quando estas dúvidas "trazem a baila" os sentimentos, ai torna-se tudo muito mais complicado, é uma luta incessante entre a lógica, as emoções, a razão, o instinto e um enormíssimo desejo de ser-se feliz.
Passamos a ser filósofos, pensadores,poetas, réus e juízes de nós mesmos.
Feliz ou infelizmente o nosso coração tem a capacidade de "acolher" os sentimentos mais absurdos, e muitas vezes passa a ser a cela de situações que nos mesmos temos a chave.
E quando a nossa felicidade implica a "escolha errada" ?



                                                                                                                                        Ottoniela Bezerra

quarta-feira, 4 de abril de 2012

"O que há do outro lado?"


Vivemos num mundo cada vez mais moderno, um mundo em que há as vídeos chamadas, as redes sociais,os telefones sem fio,os filmes em 3D, vivemos na era da famosa "Globalização".
Mas como tudo o que o ser humano produz tem vantagens, e desvantagens, pensei em debruçar-me sobre isso hoje.
Quantas vezes, falamos com pessoas que estão a milhas de distância, trocamos informações, mas acima de tudo, criamos expectativas.
Já ouvi vários casos de relacionamentos que tenham começado pela internet. E só fazendo parte de uma rede social para perceber exactamente como "isso" funciona. O primeiro contacto, a primeira conversa, a troca de informações básicas, os gostos em comum...ou não!
Eu chamaria "Internet= O País das maravilhas", do outro lado da tela, não sabemos quem está, nem quais são as reais intenções desta pessoa. Criamos uma idéia ilusória pelas fotografias, que na maioria das vezes são recheadas de "efeitos", vamos para a personalidade e idealizamos a perfeição. Ai, vem o encanto...a expectativa.
Todos sabemos quais são os perigos que corremos ao marcar encontros com pessoas "desconhecidas", amigos virtuais, mas que atire a primeira pedra quem nunca teve a curiosidade de saber como é pessoalmente o "amigo" que "nos entende", que nos dá "os mais preciosos" conselhos e que nos tece os mais desejados elogios.
Vou ainda mais, longe e arrisco em dizer : " Quantos de nós incentivados pela curiosidade e pela vontade de encontrar a "outra metade", seja amor, ou amizade, já não terá marcado um encontro ?
Pois é, como disse acima, os perigos são inúmeros, aliás, pretendo escrever outros artigos relacionados a estes perigos que vieram acompanhar a tecnologia e "modernização virtual". Mas hoje, pretendo falar do choque que apanhamos, muitas vezes em estar "face to face" com aquela pessoa com quem falamos constantemente, seja a dias, seja a meses. Na maior parte das vezes há sempre um "choque", tanto para o lado positivo ou negativo. E ai vêm a cabeça inúmeras perguntas, o receio, ou mesmo a vergonha... Apesar de tanta conversa "online" pessoalmente parece que fica tudo tão "frio" tão morto, e até que se quebre o gelo ... Até que se quebre o gelo já fizemos mil uma "caras e bocas".
E então fica a pergunta, vida real ou virtual, qual delas é a melhor?


                                                                                                                                        Ottoniela Bezerra

quinta-feira, 15 de março de 2012

"Berçonalidade"


Depois de ficar quase uma semana sem escrever, hoje enquanto via um vídeo na net ouvi a palavra "Berçonalidade". Chamou-me imediatamente a atenção, despertando-me então a curiosidade e o desejo  de " passar para o papel ", algo que se relacionasse a este termo que embora novo e desconhecido, pelo menos para mim, faz todo o sentido.

Berço + Personalidade

Já várias vezes ouvi da boca de miúdos e graudos a expressão : " A fulana vem de berço de ouro ".
Parei por alguns instantes e decidi dar a minha opinião, uma vez que estamos num mundo cada vez mais adepto a liberdade de expressão.
Desde muito nova fui ensinada a respeitar a todos. E mesmo tendo o essencial para viver, os meus pais não se esqueceram de passar a mim e aos meus irmãos os valores éticos e morais. Não importa se "mais rico ou de mais pobre", não importa se é professor ou vendedor ambulante, não importa se é empregado de limpeza ou PHD, tratar sempre os outros com respeito e educação.
Mas, estes valores morais estão cada vez mais degradados, e que para muita gente hoje em dia "ter berço" é associado ao factor "dinheiro", pondo então de lado a educação.
Do meu ponto de vista, "ter berço" é, mesmo que se venha de uma família pobre, ou humilde, sentar-se a mesa com os pais, não levantar a voz para tentar se afirmar, mas saber o momento e maneira certa de  se dirigir ao próximo, seja pai, mãe, amigo ou colega.
"Ter berço" é agir com a cabeça e ter o juízo no lugar apesar das peripécias da juventude. É saber o que se quer da vida, trabalhar, estudar, correr atrás sem passar por cima de ninguém.
Ao contrário do que muitos pensam, nascer em "berço de ouro" não é ter dinheiro, viajar, usar roupas de marcas, ser  do jet 7, ter swagg, ou frequentar os melhores "Club's".
Ter, ou vir de "berço de ouro" é muito mais simples do que se imagina, é ter de subir na vida por mérito, sem usar  ninguém como degrau, é ter personalidade e poder andar de cabeça erguida sem passar pelo que não é, ou pelo que não tem.
Berço+Personalidade: é muito mais que tudo o que agora a nossa geração está a tentar "passar", vícios, ilusões, e tentar "aparecer" custe o que custar, inclusive pondo em causa a prórpia dignidade.
 Isso não é um sermão, é apenas uma pequena chamada de atenção de uma jovem para para muitos que como eu pensam que ainda podemos fazer diferente.
Para mim não somos vítimas do mundo, e tudo o que fazemos agora, enquanto jovens, irá reflectir-se mais lá para frente, tanto no âmbito pessoal como profissional.
Personalidade+Berço: é valorizar a verdadeira amizade, o amor, sem interesses, sem segundas intenções.

Ottoniela Bezerra

sexta-feira, 9 de março de 2012

A traição do meu olhar


Hoje de manhã conversava eu com um amigo muito querido, quando este vira-se para mim e diz-me : " Não tentes disfarçar, os teus olhos estão-te a denunciar". Confesso, que neste exacto momento, corei.
Pensei cá comigo, "malditos", "traidores".
Quando acabamos de falar, comecei a escrever algo sobre isso, a "traição do olhar".
Todos nós estamos sujeitos a ser traídos pela nossa "expressão visual", se assim podemos considerar.
E não importa o momento, nem a pessoa, pelo sentimento, o olhar sempre denuncia.
Olhos grandes, pequenos, "mortos", "rasgados", castanhos, azuis, verdes. Os olhos estão em permanente contacto com o coração, daí que seja tão difícil tentar apartir deles disfarçar uma emoção, seja esta de alegria ou de tristeza, raiva ou medo, rancor ou vergonha... nossos olhos serão sempre sinceros.
Na alegria, trazem consigo os famosos e incansáveis sorrisos para completar "o pacote", na tristeza, as lágrimas lhe são companheiras. E na pior das hipóteses a terrível e assustadora frieza. As vezes estão em festa e também convidam as lágrimas, outras vezes chamam o silêncio para lhes fazer companhia...tudo isso espontaneamente...
"Olhos"- Tão perto um do outro mas nem se conhecem, cada um numa casinha, mas transmitindo as mesmas emoções, cegos, fiéis, mesmo sem ver um ao outro sempre juntos, inseparáveis... compartilhando cada momento, cada sentimento, cada dor...
"Olhos"- que tanta coisa transmitem... dor, saudade, remorso, indiferença...falam sem dizer uma palavra...
"Olhos"- Enigmáticos...
"Olhos- O espelho da alma." Quantas vezes ouvimos isso? Não contradigo em nada esta afirmação, muito pelo contrário. Através do olhar dizemos o que as palavras não traduzem... o que nem a voz consegue emitir.
Simples, pelo olhar somos capazes de decifrar tudo, ou quase tudo.
Daí também o porquê que muita gente diz que não se resolvem mal entendidos por telefone. Porque ao telefone dissemos que não, mas pessoalmente a coisa muda, e como muda... a boca pode insistir em dizer que não, mas os olhos, oh! Estes, são traidores, cúmplices do coração...malditos traidores e incansavelmente sinceros, custe o que custar...
Termino com uma frase de Mário Quintana que traduz um pouco do que hoje tentei dividir com o auxílio das minhas eternas companheiras de guerra... as palavras...
"Quem não compreende um olhar,tampouco compreenderá uma longa explicação..."
Mário Quintana

quarta-feira, 7 de março de 2012

"Malditas lembranças"


As lembranças que mais nos magoam são as boas, pois estas,através  do tempo fazem-nos reviver acontecimentos que gostaríamos que se eternizassem.
Vivemos muitas vezes "como senão houvesse amanhã", somos humanos, temos emoções, rimos, choramos, de alegria ou de tristeza, sofremos. Mas infelizmente não temos amnésia, coisa que desejamos muitas vezes, sim, esquecer de tudo. Ter um daqueles famosos "brancos". As vezes até das lembranças queremos nos livrar por mais absurdo que seja, e quase sempre fracassando nesta tentativa. Dói, não porque não terá sido bom, mas sim porque reavivamos memórias a muito esquecidas, os sentimentos actuais em contradição com os sentimentos que tomavam conta de nós outrora.
Uma fotografia, uma música, um perfume, uma palavra, um gesto, tudo isso é o suficiente para tirar do cérebro um acontecimento ou alguém que muito nos marcou em algum momento da vida.
Para mim, somos todos filósofos, poetas, detentores do nosso próprio destino, escravos das nossas inquietações e vontades e dependentes delas, das nossas memórias, das nossas lembranças, sejam estas boas ou más.
Infelizmente a vida não vem com um manual de instruções, vivemos sem saber o que é certo e o que é errado, qual o caminho certo para a felicidade, e quando sentimos uma brisa leve, cá estão as malditas lembranças.Quer queirámos, quer não... Não podemos fugir delas...

sexta-feira, 2 de março de 2012

Mulher


                                                                                "Mulher"

Acho que esta foi a crónica mais difícil de escrever, pois apesar de já não ser uma menininha, ainda não me considero mulher.
Hoje, irei dirigir-me as mulheres, as guerreiras, batalhadoras, sofredoras mas acima de tudo sonhadoras: As mulheres angolanas.
Das governantes, e que agora graças a competência e a luta pela igualdade do género ocupam cargos que anteriormente só seriam preenchido por homens, às zungueiras que de sol em sol fazem o seu pão de cada dia com uma criança as costas e sem perder a vaidade que caracteriza a mulher de Angola.
O gingado, o sorriso, o carinho, a garra, as tranças, a carapinha ou até mesmo o famoso "cabelo brazileiro", tudo isso é a mulher angolana. A professora, a amiga, irmã, mãe. Uma verdadeira flôr, a força de uma nação, aquela que de forma astuta carrega no ombro a sua dor e dos outros, partilhando a sua alegria nos momentos mais inesperados e necessários também.
Para aquelas que são "pãe" ou mãe e pai ao mesmo tempo, e que educam os filhos com amor e orientação. Uma verdadeira heroína. Uma mulher, aquela que levanta a cabeça quando todos esperam que ela esteja no chão e que dá a volta por cima.
Angolana, de Luanda, de Benguela, de Malange, da Huíla, do Namibe, ANGOLANA de Cabinda ao Cunene. Hoje, todas somos uma só, hoje é o nosso dia, hoje todas somos "Leilas" bem a nossa maneira.
Feliz dia da Mulher angolana

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Quantas vezes é possível amar?


Voltei aos textos sentimentais, é-me quase impossível "fugir" deles, pois os sentimentos estão presentes em todos os momentos da nossa vida. Felicidade, amizade, tristeza, medo, rancor, saudades. Todos eles interligados. Mas o protagonista desta estória como sempre, chama-se amor.
Amor, tão bom sentir, mas tão difícil de explicar, é como ir ao céu e voltar no mesmo instante, é como ficar louco dentro da própria lucidez, é como lambuzar-se no mel e não querer mais lavar as mãos. O amor é simplesmente inexplicável, só sentindo para poder valorizar a sua nobreza.
Hoje me perguntei...Quantas vezes na vida se ama?
Reflecti durante alguns minutos sobre as poucas experiências que tive nos meus 21 anitos, e se calhar, de forma prematura, concluí o meu monólogo : "Ama-se quantas vezes forem necessárias, cada momento é um momento, e cada pessoa tem o seu encanto".
O amor é eterno sim, mas é eterno dentro de nós, como uma doença encubada a espera de outra para se manifestar... Assim é o amor, amigo do tempo, da esperança, da saudade, do brilho do olhar, e do sorriso mais inocente. Muitas vezes e contra a sua vontade, companheiro do medo, da desconfiança, da mágoa, do ressentimento, e das famosas feridas da alma, as lágrimas.
Mas ele está dentro nós, e pronto para se manifestar a cada gesto de carinho, a cada palavra amiga, num consolo, numa expectativa, na luz no fundo do tunel, na esperança de que mesmo vivendo neste mundo para nós tudo pode ser diferente. Com ele, tudo é possível, basta querer, aliás, sentir.
Não existem "vezes" para amar, ama-se sempre SEMPRE que o coração pedir, SEMPRE que ele quiser, SEMPRE que tiver pressa de ser feliz... E quando tudo acaba não significa que não soubemos amar, mas que simplesmente este amor foi substituído por um dos "seus irmãos sentimentos", pela saudade, amizade, carinho, ou por um dos seus "meios irmãos a tristeza, o rancor, as lágrimas.."
Termino com o trecho de uma canção que eu adoro e identifico-me bastante : "É preciso amar as pessoas como senão houvesse amanhã, porque se a gente parar para pensar na verdade, não há..."

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Carnaval Foliaaa


De todas as épocas festivas existentes, sem dúvidas que a mais colorida, a mais animada, a que leva a nossa imaginação mais longe é o Carnaval.
Esta festividade faz-nos sonhar imaginar e acima de tudo criar.
A muitos anos atrás quando eu era criança e acreditava cegamente em contos de fadas, bruxas, pai natal e outras destas fantasias que mexem com a imaginação de qualquer criança, via no Carnaval uma oportunidade de ser tudo aquilo que eu não poderia ser, pelo menos não tão cedo. Médica, ou enfermeira, pirata, bombeira, princesa, joaninha fosse o que fosse era sempre uma festa.
Uma magia sem igual. Agora já mais crescidinha, confesso que o carnaval já não me encanta tanto como quando eu tinha oito ou nove anos, fico feliz por ver as pessoas a voltar a ser crianças novamente, a esquecer dos problemas pular e dançar sem pensar em nada, não naquele momento.
Então hoje, estou um pouco sem direcção no que irei escrever pois ha muito que se diga sobre esta data cheia de cor e brilho.
Gostaria mesmo é de dar uma volta ao mundo, para ver como é festejado o carnaval em alguns paises e principalmente o Brasil "rei dos carnavais", aí, talvez ampliasse um pouco mais a minha visão e pudesse falar com propriedade sobre o "Carnaval". Mas, enquanto isso não acontece, vou puxando da memória as recordações que tenho de criança, e roubar um pouco a alegria de quem vive a folia como "senão houvesse amanhã" para brindar aos meus leitores com uma pequena crónica sobre esta data que não podia passar despercebida.

Ottoniela Bezerra

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Uma mulher sem nome - Parte II


Ingressei na faculdade, e estou no 4º semestre, não tem sido fácil mas graças ao meu desempenho consegui um emprego num jornal privado, sem muita expressão mas consigo manter o aluguer do “estúdio” aonde vivo e consigo bem virar-me com a alimentação e o transporte.
Entro as 8h e só saio as 18h, as 18:30 vou para a faculdade de boleia e só chego a casa por volta das 23 horas.
Trabalho em digitação de textos, não me queixo mas na verdade sempre sonhei por um espaço meu, um espaço em que pudesse mostrar os meus artigos. Mas há muita competitividade neste lugar, então contento-me com o que tenho enquanto vou aprendendo mais.
Desci as escadas do prédio e fui para a paragem que estava abarrotada, subi para o candongueiro e como sempre ouvia aquelas conversas de pessoas que mesmo tendo tudo para reclamar da vida, tinham sempre algo de bom e positivo para passar aos outros, e conseguiam arrancar um sorriso sempre. Mesmo no meio de tantos empurrões em meia hora tinha chegado ao meu posto de serviço.
Cumprimentei o senhor Gaspar, porteiro da repartição aonde eu sou trabalhadora. Quando me sentei encontrei, já alguns textos por digitar, coisa pouca em relação aos dias anteriores. Fiz o meu trabalho e quando dei por mim a repartição já estava cheia de gente correndo de um lado para o outro. Parei as 13:30 minutos, horário de almoço. Desci para o refeitório com a Renata minha colega e amiga. Durante o almoço abordamos vários assuntos. As 15 horas voltamos para o serviço e as 19 horas estava eu a chegar a faculdade. No princípio foi difícil adaptar-me a esta rotina tão cansativa, mas depois acostumei-me. Por volta das 22:20 minutos estava eu a entrar para casa, exausta.
Tomei banho, aqueci a sopa da semana sentei-me no único sofá que eu tinha na sala e acabei por adormecer tal como nos outros dias, quando despertei eram 2horas da madrugada e dirigi-me para o quarto.
As 6h o despertador tocou e a rotina, não muda.
Sinto saudades dos meus pais, da minha província dos amigos que lá deixei. Não pensei que correr atrás do meu sonho custasse tanto. Aqui as coisas e as pessoas são muito diferentes, é tudo muito supérfluo, não há amizades verdadeiras e as pessoas primam muito pelo materialismo.
Estive pensativa durante o dia, mas depois foquei no meu objectivo. Fui para a faculdade, e depois para casa.
Haverá um concurso de novos talentos na minha faculdade e estou disposta a participar, o prémio para quem ganhar será um pequeno espaço quinzenal num jornal de desportos. Mesmo não entendendo muito sobre o assunto decidi participar, inscrevi-me e dentre vinte concorrentes eu era a única mulher....
Continua ...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

"O segredo do 14"


Depois de ouvir várias opiniões sobre o que representa para as pessoas o dia 14 de Fevereiro, o dia de São Valentim, questionei-me vezes sem conta como começar por escrever uma crónica relacionada a este dia tão "amado" por uns e tão "odiado" por outros.
Sentei-me em frente ao meu pequeno portátil, e pensei simplesmente em tentar agradar a gregos e a troianos mesmo sabendo o quão difícil, ou melhor, impossível isto é.
Não se pode negar que no amor reside uma nobreza inquestionável, para mim o segredo do dia de São Valentim ou o vulgarmente chamado "Dia dos namorados", não está SÓ no facto ser "o dia dos namorados", mas sim o dia do amor.
Isso mesmo, dia do amor. São Valentim era a favor do amor e pelo amor deu a sua vida.
Vida  a nossa que anda tão corrida e que com a ajuda da modernidade tem o "dom" para distorcer as coisas boas.
Paremos de pensar no dia 14 como uma data comercial, ou então pensar que todos os dias são dias dos namorados, fazer de todos os dias o dia dos namorados é opcional, mas deve sim existir um dia para o amor. Portanto no dia de São Valentim, você que é solteiro ofereça uma rosa, a um irmão, a um amigo, a mãe, ao pai, aquela pessoa a muito tempo pretendida.
Se o ama, diga que ama e  o quanto ama. Longe ou perto, para o coração a distância pouco importa quando o sentimento é verdadeiro.
Escreva uma carta, aproveite para fazer as pazes, dê um beijo ou abraço, peça desculpas... faça do dia 14 o um dia para ser feliz.
Para você que é comprometido, namorado, ou casado não faça diferente, valorize o amor pois este sentimento é uma dádiva.
Vamos tirar esta nuvem que está a tentar fechar o tempo, abrir a janela e dizer "Viva o amor, e viva São Valentim".

"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?"
Luís de Camões

Ottoniela Bezerra

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Um dia com o Bob


Estava a caminho da casa de uma prima,e cansada de estar no engarrafamento infernal da rotunda do Camama, decidi então ligar o rádio do carro e por acaso ouvia a rádio Luanda o programa Jovial Cidade, e o tema em questão eram as festividades do 65º aniversário de Bob Marley que se assinalou dia seis de Fevereiro no seio da comunidade Rastafari.
Ouvi atenta e calmamente e decidi propôr a mim mesma um desafio. Porquê não escrever uma crónica relacionada ao aniversário deste homem que se tornou numa lenda na história da hummanidade e do Reggae.
Nunca me tinha chamado a atenção a forma como esta religião é levada tão a sério pelos Rastafaris e tão “banalizada” pelos ditos "normais". Investiguei e fiquei fascinada por conhecer um pouco mais da históia do autor do sucesso “Woman don´t cry” ou dos tradicionais e gigantes Dreadlock´s vulgarmente chamados de tranças rastas, aprendi também durante essa minha viagem ao mundo Rastafari e Reggae que os Rastafaris na sua maioria são pessoas que vivem de produtos que ele próprios criam e que devemos lutar muito contra o preconceito que assola esta ideologia que facilmente é associada ao uso de Canabis.
O Rastafarismo, é uma religião, conquistou o seu espaço e deve ser respeitada como todas as outras que existem.
Vamos nos levantar e cantar os parabéns ao Bob e a Jamaica por nos ensinar tanta coisa e por nos dar a conhecer outros pontos de vista sobre a vida.
Bob, exemplo de autenticidade, sabedoria, a suas idéias e a sua filosofia seguidas por milhões de pessoas, vamos dançar ao do Reggae porque é africano, é nosso e é bom.
Termino hoje, com uma das suas mais populares frases :
“Preocupe-se mais com a sua consciência do que com a sua reputação, porque a sua consciência é o que você é, e a sua reputação é o que os outros pensam e o que o os outros pensam de você é problema deles.
Parabéns Bob!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Uma mulher sem nome





"Triimmmmmm!!!!

O despertador tocou, abri o olho esquerdo mantendo o direito fechado, eram 6 horas da manhã.
“Toca a levantar”, disse a mim mesma. Abri a janela e notei que o sol embora tímido, ja espreitava. Espreguiçei-me e com muita vontade de voltar para cama, entrei para o chuveiro, tentei não molhar o cabelo. A água estava fria, como sempre, mas quando saí do banho enrolada a toalha branca, senti que as minhas forças se tinham renovado.

Vesti as calças pretas e uma blusa com o estampado de “onça”. Adoro esta blusa! – Exclamei olhando-me ao espelho.

- Esta roupa marca perfeitamente a minha silhueta e a minha cor mestiça ajuda bastante.

 Pus as sandálias pretas que ao meu ver davam-me um ar muito mais elegante. Escovei o cabelo e apanhei-o num belo rabo de cavalo, em seguida pintei os lábios de cor de rosa e por último o perfume. Peguei na pasta que se encontrava pousada na cadeira de madeira perto da secretária que tenho no quarto, dei uma última olhada ao espelho, e estava pronta para mais um dia de trabalho.

Caminhei em direcção a sala aonde se encontrava a geleira pensando em algo para comer, tirei uma maçã pois também não tinha muitas opções. Vivo num apartamento muito pequeno venho de uma província distante, e corro atrás de um sonho. Ser uma jornalista conhecida, sou a filha caçula de seis irmãos, e os meus pais são camponeses, todos os meus irmãos já são mais velhos e têm as suas próprias vidas, a minha casa em Malange é humilde e apesar de estarmos num mundo um pouco moderno os meus pais nunca tiveram possibilidades de me dar uma “ vida de luxo”.
Com muito esforço e de sol em sol conclui o ensino médio na escola das madres de Malange. 

Sempre sonhei em ser jornalista, ficava fascinada com os textos que lia e os meus olhos brilhavam quando chegasse a hora do telejornal. Com a ajuda da irmã Teresa vim para a capital tentar ingressar numa faculdade pública pois os meus pais não têm possibilidades para pagar-me uma formação. Foi triste deixar para trás uma vida, e principalmente deixar a minha mãe pois sempre fomos muito amigas e faziamos companhia uma a outra, mas o desejo de me tornar alguém na vida e dar a eles uma vida melhor falou muito mais alto...."


Continua....

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Amor I

Amor
Nunca é fácil terminar uma relação quando ainda se ama a pessoa que esteve ao nosso lado. Para a maior parte de nós, humanos, um dos pressupostos para ser-se feliz, é amar e ser amado. O amargo nunca sabe bem quando se já provou o que é doce, a solidão nunca é bem-vinda quando se sabe o quão agradável é estar com alguém. O amor, um sentimento com tantas definições, tantos poetas serviram-se de palavras e com a maior das emoções tentaram transparecer a nobreza deste sentimento tão profundo. Quando se ama tudo é mais belo, as cores são mais vivas, o sorriso é espontâneo, o olhar é iluminado... a vida passa simplesmente a ser perfeita, mesmo com tantas imperfeições...Involuntariamente pusemos de lado toda a indisposição, tristeza, stress, mau-humor quando estamos com a pessoa amada. Sentimo-nos completos mesmo faltando sempre qualquer coisa, sentimo-nos alegres, mesmo quando só temos motivos para estar abatidos... Uma simples palavra, um gesto, um olhar... de tudo isso é feito o amor. Aliás, ai é que mora a sua nobreza. Ele, instala-se nos corações mais rudes, nas personalidades mais dificéis, nos ambientes “mais pesados”, nas horas inesperadas... O amor é assim, simples, chega devagar...e muitas vezes nem percebemos que ele está por perto...É uma sensação maravilhosa, quase inexplicável que todos nós tentamos partilhar e manifestar das mais diversas formas...O amor, é benigno, é divino, é natural, o amor é simplesmente algo que dá ânimo a nossa vida, cor aos nossos dias, o amor faz-nos sonhar acordados, fantasiar, planear, faz-nos dançar ao som de uma música que só nós ouvimos, conforta o nosso coração, rouba-nos os sorrisos mais bem guardados...O amor é um mistério, uma bêncão, pois poucos são os que de verdade sabem amar... O amor, é a salvação para esta selva em que se tornou a humanidade, o alcoól para as feridas da alma, o amor é simplesmente o que de mais belo nos pode acontecer...
Ottoniela Bezerra