terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Quantas vezes é possível amar?


Voltei aos textos sentimentais, é-me quase impossível "fugir" deles, pois os sentimentos estão presentes em todos os momentos da nossa vida. Felicidade, amizade, tristeza, medo, rancor, saudades. Todos eles interligados. Mas o protagonista desta estória como sempre, chama-se amor.
Amor, tão bom sentir, mas tão difícil de explicar, é como ir ao céu e voltar no mesmo instante, é como ficar louco dentro da própria lucidez, é como lambuzar-se no mel e não querer mais lavar as mãos. O amor é simplesmente inexplicável, só sentindo para poder valorizar a sua nobreza.
Hoje me perguntei...Quantas vezes na vida se ama?
Reflecti durante alguns minutos sobre as poucas experiências que tive nos meus 21 anitos, e se calhar, de forma prematura, concluí o meu monólogo : "Ama-se quantas vezes forem necessárias, cada momento é um momento, e cada pessoa tem o seu encanto".
O amor é eterno sim, mas é eterno dentro de nós, como uma doença encubada a espera de outra para se manifestar... Assim é o amor, amigo do tempo, da esperança, da saudade, do brilho do olhar, e do sorriso mais inocente. Muitas vezes e contra a sua vontade, companheiro do medo, da desconfiança, da mágoa, do ressentimento, e das famosas feridas da alma, as lágrimas.
Mas ele está dentro nós, e pronto para se manifestar a cada gesto de carinho, a cada palavra amiga, num consolo, numa expectativa, na luz no fundo do tunel, na esperança de que mesmo vivendo neste mundo para nós tudo pode ser diferente. Com ele, tudo é possível, basta querer, aliás, sentir.
Não existem "vezes" para amar, ama-se sempre SEMPRE que o coração pedir, SEMPRE que ele quiser, SEMPRE que tiver pressa de ser feliz... E quando tudo acaba não significa que não soubemos amar, mas que simplesmente este amor foi substituído por um dos "seus irmãos sentimentos", pela saudade, amizade, carinho, ou por um dos seus "meios irmãos a tristeza, o rancor, as lágrimas.."
Termino com o trecho de uma canção que eu adoro e identifico-me bastante : "É preciso amar as pessoas como senão houvesse amanhã, porque se a gente parar para pensar na verdade, não há..."

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Carnaval Foliaaa


De todas as épocas festivas existentes, sem dúvidas que a mais colorida, a mais animada, a que leva a nossa imaginação mais longe é o Carnaval.
Esta festividade faz-nos sonhar imaginar e acima de tudo criar.
A muitos anos atrás quando eu era criança e acreditava cegamente em contos de fadas, bruxas, pai natal e outras destas fantasias que mexem com a imaginação de qualquer criança, via no Carnaval uma oportunidade de ser tudo aquilo que eu não poderia ser, pelo menos não tão cedo. Médica, ou enfermeira, pirata, bombeira, princesa, joaninha fosse o que fosse era sempre uma festa.
Uma magia sem igual. Agora já mais crescidinha, confesso que o carnaval já não me encanta tanto como quando eu tinha oito ou nove anos, fico feliz por ver as pessoas a voltar a ser crianças novamente, a esquecer dos problemas pular e dançar sem pensar em nada, não naquele momento.
Então hoje, estou um pouco sem direcção no que irei escrever pois ha muito que se diga sobre esta data cheia de cor e brilho.
Gostaria mesmo é de dar uma volta ao mundo, para ver como é festejado o carnaval em alguns paises e principalmente o Brasil "rei dos carnavais", aí, talvez ampliasse um pouco mais a minha visão e pudesse falar com propriedade sobre o "Carnaval". Mas, enquanto isso não acontece, vou puxando da memória as recordações que tenho de criança, e roubar um pouco a alegria de quem vive a folia como "senão houvesse amanhã" para brindar aos meus leitores com uma pequena crónica sobre esta data que não podia passar despercebida.

Ottoniela Bezerra

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Uma mulher sem nome - Parte II


Ingressei na faculdade, e estou no 4º semestre, não tem sido fácil mas graças ao meu desempenho consegui um emprego num jornal privado, sem muita expressão mas consigo manter o aluguer do “estúdio” aonde vivo e consigo bem virar-me com a alimentação e o transporte.
Entro as 8h e só saio as 18h, as 18:30 vou para a faculdade de boleia e só chego a casa por volta das 23 horas.
Trabalho em digitação de textos, não me queixo mas na verdade sempre sonhei por um espaço meu, um espaço em que pudesse mostrar os meus artigos. Mas há muita competitividade neste lugar, então contento-me com o que tenho enquanto vou aprendendo mais.
Desci as escadas do prédio e fui para a paragem que estava abarrotada, subi para o candongueiro e como sempre ouvia aquelas conversas de pessoas que mesmo tendo tudo para reclamar da vida, tinham sempre algo de bom e positivo para passar aos outros, e conseguiam arrancar um sorriso sempre. Mesmo no meio de tantos empurrões em meia hora tinha chegado ao meu posto de serviço.
Cumprimentei o senhor Gaspar, porteiro da repartição aonde eu sou trabalhadora. Quando me sentei encontrei, já alguns textos por digitar, coisa pouca em relação aos dias anteriores. Fiz o meu trabalho e quando dei por mim a repartição já estava cheia de gente correndo de um lado para o outro. Parei as 13:30 minutos, horário de almoço. Desci para o refeitório com a Renata minha colega e amiga. Durante o almoço abordamos vários assuntos. As 15 horas voltamos para o serviço e as 19 horas estava eu a chegar a faculdade. No princípio foi difícil adaptar-me a esta rotina tão cansativa, mas depois acostumei-me. Por volta das 22:20 minutos estava eu a entrar para casa, exausta.
Tomei banho, aqueci a sopa da semana sentei-me no único sofá que eu tinha na sala e acabei por adormecer tal como nos outros dias, quando despertei eram 2horas da madrugada e dirigi-me para o quarto.
As 6h o despertador tocou e a rotina, não muda.
Sinto saudades dos meus pais, da minha província dos amigos que lá deixei. Não pensei que correr atrás do meu sonho custasse tanto. Aqui as coisas e as pessoas são muito diferentes, é tudo muito supérfluo, não há amizades verdadeiras e as pessoas primam muito pelo materialismo.
Estive pensativa durante o dia, mas depois foquei no meu objectivo. Fui para a faculdade, e depois para casa.
Haverá um concurso de novos talentos na minha faculdade e estou disposta a participar, o prémio para quem ganhar será um pequeno espaço quinzenal num jornal de desportos. Mesmo não entendendo muito sobre o assunto decidi participar, inscrevi-me e dentre vinte concorrentes eu era a única mulher....
Continua ...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

"O segredo do 14"


Depois de ouvir várias opiniões sobre o que representa para as pessoas o dia 14 de Fevereiro, o dia de São Valentim, questionei-me vezes sem conta como começar por escrever uma crónica relacionada a este dia tão "amado" por uns e tão "odiado" por outros.
Sentei-me em frente ao meu pequeno portátil, e pensei simplesmente em tentar agradar a gregos e a troianos mesmo sabendo o quão difícil, ou melhor, impossível isto é.
Não se pode negar que no amor reside uma nobreza inquestionável, para mim o segredo do dia de São Valentim ou o vulgarmente chamado "Dia dos namorados", não está SÓ no facto ser "o dia dos namorados", mas sim o dia do amor.
Isso mesmo, dia do amor. São Valentim era a favor do amor e pelo amor deu a sua vida.
Vida  a nossa que anda tão corrida e que com a ajuda da modernidade tem o "dom" para distorcer as coisas boas.
Paremos de pensar no dia 14 como uma data comercial, ou então pensar que todos os dias são dias dos namorados, fazer de todos os dias o dia dos namorados é opcional, mas deve sim existir um dia para o amor. Portanto no dia de São Valentim, você que é solteiro ofereça uma rosa, a um irmão, a um amigo, a mãe, ao pai, aquela pessoa a muito tempo pretendida.
Se o ama, diga que ama e  o quanto ama. Longe ou perto, para o coração a distância pouco importa quando o sentimento é verdadeiro.
Escreva uma carta, aproveite para fazer as pazes, dê um beijo ou abraço, peça desculpas... faça do dia 14 o um dia para ser feliz.
Para você que é comprometido, namorado, ou casado não faça diferente, valorize o amor pois este sentimento é uma dádiva.
Vamos tirar esta nuvem que está a tentar fechar o tempo, abrir a janela e dizer "Viva o amor, e viva São Valentim".

"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?"
Luís de Camões

Ottoniela Bezerra

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Um dia com o Bob


Estava a caminho da casa de uma prima,e cansada de estar no engarrafamento infernal da rotunda do Camama, decidi então ligar o rádio do carro e por acaso ouvia a rádio Luanda o programa Jovial Cidade, e o tema em questão eram as festividades do 65º aniversário de Bob Marley que se assinalou dia seis de Fevereiro no seio da comunidade Rastafari.
Ouvi atenta e calmamente e decidi propôr a mim mesma um desafio. Porquê não escrever uma crónica relacionada ao aniversário deste homem que se tornou numa lenda na história da hummanidade e do Reggae.
Nunca me tinha chamado a atenção a forma como esta religião é levada tão a sério pelos Rastafaris e tão “banalizada” pelos ditos "normais". Investiguei e fiquei fascinada por conhecer um pouco mais da históia do autor do sucesso “Woman don´t cry” ou dos tradicionais e gigantes Dreadlock´s vulgarmente chamados de tranças rastas, aprendi também durante essa minha viagem ao mundo Rastafari e Reggae que os Rastafaris na sua maioria são pessoas que vivem de produtos que ele próprios criam e que devemos lutar muito contra o preconceito que assola esta ideologia que facilmente é associada ao uso de Canabis.
O Rastafarismo, é uma religião, conquistou o seu espaço e deve ser respeitada como todas as outras que existem.
Vamos nos levantar e cantar os parabéns ao Bob e a Jamaica por nos ensinar tanta coisa e por nos dar a conhecer outros pontos de vista sobre a vida.
Bob, exemplo de autenticidade, sabedoria, a suas idéias e a sua filosofia seguidas por milhões de pessoas, vamos dançar ao do Reggae porque é africano, é nosso e é bom.
Termino hoje, com uma das suas mais populares frases :
“Preocupe-se mais com a sua consciência do que com a sua reputação, porque a sua consciência é o que você é, e a sua reputação é o que os outros pensam e o que o os outros pensam de você é problema deles.
Parabéns Bob!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Uma mulher sem nome





"Triimmmmmm!!!!

O despertador tocou, abri o olho esquerdo mantendo o direito fechado, eram 6 horas da manhã.
“Toca a levantar”, disse a mim mesma. Abri a janela e notei que o sol embora tímido, ja espreitava. Espreguiçei-me e com muita vontade de voltar para cama, entrei para o chuveiro, tentei não molhar o cabelo. A água estava fria, como sempre, mas quando saí do banho enrolada a toalha branca, senti que as minhas forças se tinham renovado.

Vesti as calças pretas e uma blusa com o estampado de “onça”. Adoro esta blusa! – Exclamei olhando-me ao espelho.

- Esta roupa marca perfeitamente a minha silhueta e a minha cor mestiça ajuda bastante.

 Pus as sandálias pretas que ao meu ver davam-me um ar muito mais elegante. Escovei o cabelo e apanhei-o num belo rabo de cavalo, em seguida pintei os lábios de cor de rosa e por último o perfume. Peguei na pasta que se encontrava pousada na cadeira de madeira perto da secretária que tenho no quarto, dei uma última olhada ao espelho, e estava pronta para mais um dia de trabalho.

Caminhei em direcção a sala aonde se encontrava a geleira pensando em algo para comer, tirei uma maçã pois também não tinha muitas opções. Vivo num apartamento muito pequeno venho de uma província distante, e corro atrás de um sonho. Ser uma jornalista conhecida, sou a filha caçula de seis irmãos, e os meus pais são camponeses, todos os meus irmãos já são mais velhos e têm as suas próprias vidas, a minha casa em Malange é humilde e apesar de estarmos num mundo um pouco moderno os meus pais nunca tiveram possibilidades de me dar uma “ vida de luxo”.
Com muito esforço e de sol em sol conclui o ensino médio na escola das madres de Malange. 

Sempre sonhei em ser jornalista, ficava fascinada com os textos que lia e os meus olhos brilhavam quando chegasse a hora do telejornal. Com a ajuda da irmã Teresa vim para a capital tentar ingressar numa faculdade pública pois os meus pais não têm possibilidades para pagar-me uma formação. Foi triste deixar para trás uma vida, e principalmente deixar a minha mãe pois sempre fomos muito amigas e faziamos companhia uma a outra, mas o desejo de me tornar alguém na vida e dar a eles uma vida melhor falou muito mais alto...."


Continua....

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Amor I

Amor
Nunca é fácil terminar uma relação quando ainda se ama a pessoa que esteve ao nosso lado. Para a maior parte de nós, humanos, um dos pressupostos para ser-se feliz, é amar e ser amado. O amargo nunca sabe bem quando se já provou o que é doce, a solidão nunca é bem-vinda quando se sabe o quão agradável é estar com alguém. O amor, um sentimento com tantas definições, tantos poetas serviram-se de palavras e com a maior das emoções tentaram transparecer a nobreza deste sentimento tão profundo. Quando se ama tudo é mais belo, as cores são mais vivas, o sorriso é espontâneo, o olhar é iluminado... a vida passa simplesmente a ser perfeita, mesmo com tantas imperfeições...Involuntariamente pusemos de lado toda a indisposição, tristeza, stress, mau-humor quando estamos com a pessoa amada. Sentimo-nos completos mesmo faltando sempre qualquer coisa, sentimo-nos alegres, mesmo quando só temos motivos para estar abatidos... Uma simples palavra, um gesto, um olhar... de tudo isso é feito o amor. Aliás, ai é que mora a sua nobreza. Ele, instala-se nos corações mais rudes, nas personalidades mais dificéis, nos ambientes “mais pesados”, nas horas inesperadas... O amor é assim, simples, chega devagar...e muitas vezes nem percebemos que ele está por perto...É uma sensação maravilhosa, quase inexplicável que todos nós tentamos partilhar e manifestar das mais diversas formas...O amor, é benigno, é divino, é natural, o amor é simplesmente algo que dá ânimo a nossa vida, cor aos nossos dias, o amor faz-nos sonhar acordados, fantasiar, planear, faz-nos dançar ao som de uma música que só nós ouvimos, conforta o nosso coração, rouba-nos os sorrisos mais bem guardados...O amor é um mistério, uma bêncão, pois poucos são os que de verdade sabem amar... O amor, é a salvação para esta selva em que se tornou a humanidade, o alcoól para as feridas da alma, o amor é simplesmente o que de mais belo nos pode acontecer...
Ottoniela Bezerra