quinta-feira, 15 de março de 2012

"Berçonalidade"


Depois de ficar quase uma semana sem escrever, hoje enquanto via um vídeo na net ouvi a palavra "Berçonalidade". Chamou-me imediatamente a atenção, despertando-me então a curiosidade e o desejo  de " passar para o papel ", algo que se relacionasse a este termo que embora novo e desconhecido, pelo menos para mim, faz todo o sentido.

Berço + Personalidade

Já várias vezes ouvi da boca de miúdos e graudos a expressão : " A fulana vem de berço de ouro ".
Parei por alguns instantes e decidi dar a minha opinião, uma vez que estamos num mundo cada vez mais adepto a liberdade de expressão.
Desde muito nova fui ensinada a respeitar a todos. E mesmo tendo o essencial para viver, os meus pais não se esqueceram de passar a mim e aos meus irmãos os valores éticos e morais. Não importa se "mais rico ou de mais pobre", não importa se é professor ou vendedor ambulante, não importa se é empregado de limpeza ou PHD, tratar sempre os outros com respeito e educação.
Mas, estes valores morais estão cada vez mais degradados, e que para muita gente hoje em dia "ter berço" é associado ao factor "dinheiro", pondo então de lado a educação.
Do meu ponto de vista, "ter berço" é, mesmo que se venha de uma família pobre, ou humilde, sentar-se a mesa com os pais, não levantar a voz para tentar se afirmar, mas saber o momento e maneira certa de  se dirigir ao próximo, seja pai, mãe, amigo ou colega.
"Ter berço" é agir com a cabeça e ter o juízo no lugar apesar das peripécias da juventude. É saber o que se quer da vida, trabalhar, estudar, correr atrás sem passar por cima de ninguém.
Ao contrário do que muitos pensam, nascer em "berço de ouro" não é ter dinheiro, viajar, usar roupas de marcas, ser  do jet 7, ter swagg, ou frequentar os melhores "Club's".
Ter, ou vir de "berço de ouro" é muito mais simples do que se imagina, é ter de subir na vida por mérito, sem usar  ninguém como degrau, é ter personalidade e poder andar de cabeça erguida sem passar pelo que não é, ou pelo que não tem.
Berço+Personalidade: é muito mais que tudo o que agora a nossa geração está a tentar "passar", vícios, ilusões, e tentar "aparecer" custe o que custar, inclusive pondo em causa a prórpia dignidade.
 Isso não é um sermão, é apenas uma pequena chamada de atenção de uma jovem para para muitos que como eu pensam que ainda podemos fazer diferente.
Para mim não somos vítimas do mundo, e tudo o que fazemos agora, enquanto jovens, irá reflectir-se mais lá para frente, tanto no âmbito pessoal como profissional.
Personalidade+Berço: é valorizar a verdadeira amizade, o amor, sem interesses, sem segundas intenções.

Ottoniela Bezerra

sexta-feira, 9 de março de 2012

A traição do meu olhar


Hoje de manhã conversava eu com um amigo muito querido, quando este vira-se para mim e diz-me : " Não tentes disfarçar, os teus olhos estão-te a denunciar". Confesso, que neste exacto momento, corei.
Pensei cá comigo, "malditos", "traidores".
Quando acabamos de falar, comecei a escrever algo sobre isso, a "traição do olhar".
Todos nós estamos sujeitos a ser traídos pela nossa "expressão visual", se assim podemos considerar.
E não importa o momento, nem a pessoa, pelo sentimento, o olhar sempre denuncia.
Olhos grandes, pequenos, "mortos", "rasgados", castanhos, azuis, verdes. Os olhos estão em permanente contacto com o coração, daí que seja tão difícil tentar apartir deles disfarçar uma emoção, seja esta de alegria ou de tristeza, raiva ou medo, rancor ou vergonha... nossos olhos serão sempre sinceros.
Na alegria, trazem consigo os famosos e incansáveis sorrisos para completar "o pacote", na tristeza, as lágrimas lhe são companheiras. E na pior das hipóteses a terrível e assustadora frieza. As vezes estão em festa e também convidam as lágrimas, outras vezes chamam o silêncio para lhes fazer companhia...tudo isso espontaneamente...
"Olhos"- Tão perto um do outro mas nem se conhecem, cada um numa casinha, mas transmitindo as mesmas emoções, cegos, fiéis, mesmo sem ver um ao outro sempre juntos, inseparáveis... compartilhando cada momento, cada sentimento, cada dor...
"Olhos"- que tanta coisa transmitem... dor, saudade, remorso, indiferença...falam sem dizer uma palavra...
"Olhos"- Enigmáticos...
"Olhos- O espelho da alma." Quantas vezes ouvimos isso? Não contradigo em nada esta afirmação, muito pelo contrário. Através do olhar dizemos o que as palavras não traduzem... o que nem a voz consegue emitir.
Simples, pelo olhar somos capazes de decifrar tudo, ou quase tudo.
Daí também o porquê que muita gente diz que não se resolvem mal entendidos por telefone. Porque ao telefone dissemos que não, mas pessoalmente a coisa muda, e como muda... a boca pode insistir em dizer que não, mas os olhos, oh! Estes, são traidores, cúmplices do coração...malditos traidores e incansavelmente sinceros, custe o que custar...
Termino com uma frase de Mário Quintana que traduz um pouco do que hoje tentei dividir com o auxílio das minhas eternas companheiras de guerra... as palavras...
"Quem não compreende um olhar,tampouco compreenderá uma longa explicação..."
Mário Quintana

quarta-feira, 7 de março de 2012

"Malditas lembranças"


As lembranças que mais nos magoam são as boas, pois estas,através  do tempo fazem-nos reviver acontecimentos que gostaríamos que se eternizassem.
Vivemos muitas vezes "como senão houvesse amanhã", somos humanos, temos emoções, rimos, choramos, de alegria ou de tristeza, sofremos. Mas infelizmente não temos amnésia, coisa que desejamos muitas vezes, sim, esquecer de tudo. Ter um daqueles famosos "brancos". As vezes até das lembranças queremos nos livrar por mais absurdo que seja, e quase sempre fracassando nesta tentativa. Dói, não porque não terá sido bom, mas sim porque reavivamos memórias a muito esquecidas, os sentimentos actuais em contradição com os sentimentos que tomavam conta de nós outrora.
Uma fotografia, uma música, um perfume, uma palavra, um gesto, tudo isso é o suficiente para tirar do cérebro um acontecimento ou alguém que muito nos marcou em algum momento da vida.
Para mim, somos todos filósofos, poetas, detentores do nosso próprio destino, escravos das nossas inquietações e vontades e dependentes delas, das nossas memórias, das nossas lembranças, sejam estas boas ou más.
Infelizmente a vida não vem com um manual de instruções, vivemos sem saber o que é certo e o que é errado, qual o caminho certo para a felicidade, e quando sentimos uma brisa leve, cá estão as malditas lembranças.Quer queirámos, quer não... Não podemos fugir delas...

sexta-feira, 2 de março de 2012

Mulher


                                                                                "Mulher"

Acho que esta foi a crónica mais difícil de escrever, pois apesar de já não ser uma menininha, ainda não me considero mulher.
Hoje, irei dirigir-me as mulheres, as guerreiras, batalhadoras, sofredoras mas acima de tudo sonhadoras: As mulheres angolanas.
Das governantes, e que agora graças a competência e a luta pela igualdade do género ocupam cargos que anteriormente só seriam preenchido por homens, às zungueiras que de sol em sol fazem o seu pão de cada dia com uma criança as costas e sem perder a vaidade que caracteriza a mulher de Angola.
O gingado, o sorriso, o carinho, a garra, as tranças, a carapinha ou até mesmo o famoso "cabelo brazileiro", tudo isso é a mulher angolana. A professora, a amiga, irmã, mãe. Uma verdadeira flôr, a força de uma nação, aquela que de forma astuta carrega no ombro a sua dor e dos outros, partilhando a sua alegria nos momentos mais inesperados e necessários também.
Para aquelas que são "pãe" ou mãe e pai ao mesmo tempo, e que educam os filhos com amor e orientação. Uma verdadeira heroína. Uma mulher, aquela que levanta a cabeça quando todos esperam que ela esteja no chão e que dá a volta por cima.
Angolana, de Luanda, de Benguela, de Malange, da Huíla, do Namibe, ANGOLANA de Cabinda ao Cunene. Hoje, todas somos uma só, hoje é o nosso dia, hoje todas somos "Leilas" bem a nossa maneira.
Feliz dia da Mulher angolana